Enquanto o catálogo da Netflix garimpa novas histórias para transformar em anime, um nome brasileiro começa a ecoar nos corredores de estúdios internacionais: Vitor Bardo. O artista de 28 anos emplacou seu mangá “Jonas, o Quase Mago” fora do país e virou sensação entre editores japoneses e europeus.
De fã de RPGs a profissional formado em escolas tradicionais de mangá, Bardo soma prêmios, contratos e elogios que o colocam no radar de produtoras interessadas em conteúdo original. Entenda por que esse paulista pode ser o próximo brasileiro a ganhar adaptação na plataforma.
Do quarto de infância às grandes editoras
De Zelda às prateleiras japonesas
A paixão de Vitor Bardo pelos traços surgiu cedo, em tentativas de copiar a arte de The Legend of Zelda. Aos 10 anos, ele já preenchia cadernos com espadas e criaturas fantásticas. A evolução veio com estudos formais na Manga School ME2 e, depois, na consagrada Nakano Manga School, onde aprendeu técnicas de narrativa visual diretamente com a sensei Nao Yazawa.
O salto qualitativo rendeu convite para uma imersão na Accademia Europea di Manga, na Itália. Lá, ele consolidou um estilo que mistura humor brasileiro, estrutura shonen e ritmo frenético – combinação que, segundo editores, dialoga com o público global sem perder identidade.
“Jonas, o Quase Mago”: humor universitário e magia hardcore
No mangá, Jonas é um estudante azarado de um curso de Magia que precisa definir tema de TCC. A oportunidade aparece quando uma missão perigosa cai em seu colo: concluir o trabalho e, de quebra, salvar reinos inteiros. A trama se apoia em sátiras de vida acadêmica, sistemas de RPG e cenas de ação dinâmicas que lembram clássicos como Fullmetal Alchemist.
Publicada inicialmente como one-shot em plataforma digital asiática, a história conquistou nota alta de leitores e garantiu sinal verde para novos capítulos. Críticos apontam o timing cômico como diferencial; curiosamente, as piadas universitárias precisaram ser adaptadas para o público japonês, realçando os desafios culturais que o autor enfrenta.
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Por que a Netflix deve ficar de olho?
Potencial de série curta, maratona garantida
Com arcos fechados e cliffhangers pontuais, “Jonas, o Quase Mago” se encaixa no formato de temporadas enxutas que a Netflix vem adotando em animes originais. O roteiro ágil, cheio de referências a games, facilita a maratona e conversa com a base que consagrou títulos como “Castlevania”.
Além disso, Bardo já confirmou minisséries derivadas e spin-offs – material perfeito para expandir universos dentro do streaming sem inflar orçamento. A versatilidade agrada executivos em busca de IPs expansíveis.
Recepção internacional e selo de qualidade
Até aqui, o mangaká soma colaborações com dois editores japoneses e contratos em mercados distintos. Esse aval editorial simplifica negociações de licença, etapa que costuma travar adaptações de obras independentes. Outro ponto favorável é a fanbase engajada: redes sociais de Bardo reúnem leitores do Brasil, Itália e Coreia que produzem fanarts e teorias semanais.
Nos bastidores, comenta-se que estúdios parceiros da plataforma já analisam o storyboard do primeiro arco. Caso avance, o projeto seria mais um passo na estratégia da gigante de fortalecer o selo “anime global”. A única certeza é que o nome de Vitor Bardo ronda reuniões executivas — e, segundo apurou o NoNetflix, não falta quem aposte nesse talento.
